quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Homenagem a Darwin
domingo, 5 de julho de 2009
Palavras soltas... De deseo somos
De deseo somos
La vida, sin nombre, sin memoria, estaba sola. Tenía manos, pero no tenía a quién tocar. Tenía boca, pero no tenía con quién hablar. La vida era una, y siendo una era ninguna.Eduardo Galeano, em Espejos

A sociabilidade e o desejo garantiram a sobrevivência de nossa espécie. Nosso interior é tecido durante a vida por meio das nossas experiências; experiências que compartilhamos com outros. Cada um tem sua personalidade, mas ela não seria possível sem o desejo de pertencimento a grupos, sem a convivência com o que nos desperta prazer, sem o outro que é o nosso espelho. Não existe um “eu” puro e imaculado, pois o eu é intersubjetivo, fruto de instintos como o desejo.
Sabemos que a convivência tem seus percalços, mas que também é prazerosa. Galeano, ao iniciar sua história quase universal, reconstrói belamente a importância do outro para a vida.
A propósito, vale citar Darwin, na sua Autobiografia:
"[...] As sensações prazeirosas, por outro lado, podem continuar por muito tempo, sem nenhum efeito depressivo; ao contrário, elas estimulam o sistema inteiro a um aumento da ação. Daí haver sucedido que a maioria ou a totalidade dos seres sensíveis foi desenvolvida, através da seleção natural, de tal maneira que as sensações prazeirosas servem como seus guias habituais [...]" (200, p. 77)
Não é a toa que Galeano notou que Darwin, além de trazer tartarugas de sua viagem pela América, trouxe perguntas, muitas perguntas.
Fale mais sobre isso:DARWIN, C. Autobiografia. Rio de JaneiroContraponto, 2000.
GALEANO, E. Espejos: una historia casi universal. Buenos Aires: Siglo XXI Editores & Siglo XXI Iberoamericana Editora, 2008.