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sábado, 16 de abril de 2011

Papéis borrados

Assim eles seguem, com suas construções elaboradas

Desdobrando-se em milhares e milhares,

De possíveis acontecimentos, de possíveis causas.


Parecem querer ver a vida bordada em complexidades

De mundos intocáveis em enredamentos ordenados,

De mundos intangíveis em papéis ornamentais.


Enquanto isso eu sigo aqui, olhando a chuva que cai

Num cobertor enrolado e com um pensamento no coração:

Um café cairia muito bem!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Brisa Noturna

É, eu voltei a escrever; não sei bem, ainda, sobre o quê.

Olha o copo de café, o computador e nada vem à mente, só a vontade de escrever.

Digitar, assim, palavras e mais palavras, sem pensar muito em estética ou conteúdo, só deixar aliviar o peito angustiado.

sábado, 17 de julho de 2010


18:00

Como um floco de neve, numa fria tarde de inverno;

Assim como as nuvens negras ao entristecer da tarde, encontram no silêncio do sol poente o seu fim;

Na noite calada e fria ainda caem os flocos de neve, refletidos sobre a fraca luz da lua,

Que junto com algumas poucas estrelas dançam uma valsa há muito esquecida;

Ao som de uma sinfonia silenciosa, os flocos de neve dançam solenemente, sobrevivem ao sol poente, o apagar das luzes do universo, iluminados por estrelas, que, como velas fracas, refletem suavemente a escuridão por entre as brumas da noite;

Mas os flocos de neve estão lá, e sempre estarão, mesmo quando o sol esconder toda a escuridão;

Os flocos de neve trarão consigo a memória, esta, escondida no lado escuro da lua, que reflete a luz da vida;

A mesma lua negra e fria que surge toda a noite;

Refletida nos flocos de neve, para iluminar a escuridão...


(texto escrito há bastante tempo, que eu acabei encontrando nesse frio anoitecer de julho.)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Seguir em direção a tudo que amamos



"Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava."

Chuva Interior, Mário Chamie.

O poema e o poeta conheci essa semana, pelo filme A Via Láctea. Um filme que não conta uma história, mas acontecimentos e sentimentos cotidianos da vida urbana, o caos, a solidão. O trânsito congestionado, assaltado e surpreendido traduz o que no dia a dia acabamos por transformar nossas vidas. Cada um por si querendo avançar nesse mundo esgotado. Mas também encontramos nas paradas e nos motivos do movimento os laços de amor e empatia, as pequenas felicidades daqueles momentos bobos que são no final o que mais vale a pena, o gosto de se fazer o que se gosta com quem se ama e aos que de algum modo nos tocam.

"Seguir em direção a tudo que amamos" se torna ainda mais intenso quando ao final do filme quando voltamos à nossa realidade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Muda a foto, muda a noticia.


As fotografias de Mauro Restiffe, que integram o projeto Fotojornalismo, ilustram reportágens publicadas em jornais. Mas elas não são fotos informativas, como normalmente vemos nas páginas dos jornais. Mudou a foto. Mudou a notícia?

O acampamento Farroupilha não é feito somente das muldidões, do chimarrão e do churrasco. Mauro nos mostra a árvore que cresce entre piquetes, o cavalo que espera a liberdade, a pessoa que descanssa... deitada no banco.

A nostalgia das fotos analógicas em preto e branco trazem à reflexão a tensão entre os excessos da sociedade da informação e a visão literária do cotidiano. Afinal, por que quando tratamos do nosso dia a dia, o fazemos com ares de notícia desinteressada? A beleza se encontra onde abrirmos nossos olhos, onde direcionamos nosso olhar: pode ser ao cachorro que cheira o musgo, no avô que corre com seu neto, no cheiro do café da manhã, no frescor das árvores, no muro grafitado, no fruteiro sorridente, no gato que senta à janela.

Existem diferentes modos de ver o mundo e de expressar sobre ele. Para garantir a riqueza da diversidade deve existir também espaço e olhos abertos.